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08/01/2020 | Quer empreender no ano novo? Veja essas dicas de especialista - O Estado de S. Paulo

As promessas de melhorar de vida, ter o próprio negócio, ganhar muito dinheiro e dar o pulo do gato nas questões financeiras costumam surgir junto com o início de cada ano. Pensar em algumas condições antes de realmente “colocar o bloco na rua” pode ajudar na sobrevivência e sucesso do empreendimento.

Escolher um ramo do qual se tem conhecimento ou haja domínio já pode ser um bom caminho andado. Gostar da atividade também só favorece o empreendedor. Estruturar um plano de negócio, saber quanto vai precisar investir para montar o próprio negócio, se há demanda para o produto ou serviço a ser oferecido, e testá-los antes de oferecê-los em escala ao mercado, tudo vai contribuir para cercar a empreitada de maior segurança.

Só que além desses pontos básicos e fundamentais, mas não suficientes para bons resultados, há aspectos técnicos que precisam ser considerados. Quem faz um roteiro de temas relevantes para os interessados em montar o próprio negócio é o professor de Gestão Financeira da Faculdades Anhanguera, Marco Cordeiro. Ele começa apontando uma condição que considera primordial para quem vai iniciar no empreendedorismo e não está habituado a administrar as finanças.

“O dinheiro da empresa não pode ser misturado com o dinheiro do empresário na pessoa física” afirma. “É preciso ter contas separadas”. O professor explica que o iniciante nem sempre leva em conta custos que vão desde a conta de energia elétrica, do telefone, do combustível até os de reposição de estoque, compra de materiais para nova rodada de produção, e assim por diante, para manter a empresa funcionando.

“É comum o empresário fazer confusão, porque ele acredita que o dinheiro é um só, e não é”. No caso, o empresário precisa separar uma quantia para ele, o pró-labore, para pagar as despesas pessoais e o restante tem de ficar na empresa para bancar as despesas do empreendimento. O risco aí é de gastar o dinheiro necessário para cobertura das necessidades da empresa, as que estavam e as que não estavam previstas.

Um segundo passo, para Cordeiro, é ter a consciência real do que é o lucro no negócio. E nessa conta é preciso descontar do resultado das vendas o que vai para o fornecedor, para os salários de empregados, para pagamento das despesas como água, luz, telefone, para os impostos ou para qualquer outra operação que tenha levado parte do lucro, como adiantamento de recebíveis com o banco em que é cobrada uma taxa de juros. Somente descendo a esse nível de detalhe será possível encontrar o lucro com nível de precisão.

Ficar atento a prazos é outro cuidado a ser tomado pelo empresário. “Se eu tenho um determinado prazo para pagar o fornecedor, é esse também o prazo limite que posso conceder a quem comprou de mim”, ensina o especialista. Se houver descasamento e o prazo dado ao cliente for maior do que o concedido pelo fornecedor, o empresário será obrigado a financiar os dias da diferença entre um e outro, o que pode reduzir boa parte dos ganhos.

“Tem gente é que é muito boa no que faz, mas na hora de empreender não toma essas providências e acaba no prejuízo”, sentencia ele. No caso de prestador de serviço há um cuidado extra, para que o negócio tenha vida longa, o de não ficar na mão, não depender de apenas um cliente. “O ideal é ampliar sempre que possível o número de clientes, porque se um deles desistir haverá tempo para ir tocando as coisas enquanto se faz a captação de novos trabalhos”.

O candidato a empresário também precisa ter perfil de empreendedor e procurar conhecer muito bem o ramo de negócios em que vai atuar. “ Não adianta montar o próprio negócio achando que vai trabalhar menos do que quando era empregado”. Vai trabalhar mais, na opinião dele, porque será preciso pensar em tudo e especialmente porque terá de cuidar da qualidade do produto ou serviço a ser entregue. Ainda que não esteja diretamente ligado à produção terá de supervisionar, terá de verificar o que a concorrência está fazendo para atualizar-se. “Há tarefas em que não será possível delegar. É o olho do dono que engorda o boi”.

Ainda que a palavra inovação esteja muito em moda é preciso ter cautela com ela em início de atividade. O professor pondera que o importante é oferecer o que tem demanda e muitas vezes isso representa o clássico, não o novo. “Só quem já estiver estruturado e que não terá problemas se deixar de vender é que deve pensar em inovar com algo diferenciado”.

Marco valoriza a inovação, como a de empresas como a Ifood ou Uber, mas para que seja sinônimo de sucesso logo de início ela precisa trazer uma boa ideia, que venha atender a uma necessidade de mercado, a uma insatisfação da clientela.

O Sebrae em seu site (www.sebrae.com.br) oferece um amplo serviço de apoio a quem quer empreender, desde sugestões de negócios até o passo a passo de como montar o próprio negócio, além de cursos gratuitos.

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