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02/01/2020 | Prevalece otimismo para 2020, apesar da economia - Valor Econômico

A melhora de alguns indicadores econômicos nos últimos meses de 2019 animou as previsões para 2020. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) do próximo ano passou de menos de 2% para até 2,5% e já se fala em 3%. O Banco Central (BC), que projetava no Relatório Trimestral de Inflação de setembro que o PIB crescerá 1,8%, elevou o percentual para 2,2%. Se isso se confirmar, a economia vai ter o melhor desempenho desde 2013, quando cresceu 3%, antes de mergulhar na crise que se prolongou de 2014 a 2016, seguida por três anos de crescimento de pouco mais de 1%. Mas o que pode dar errado nessas previsões otimistas? Um dos índices que alimentou essas projeções foi a reação do mercado de trabalho, evidenciada na redução da taxa de desocupação para 11,2% no trimestre terminando em novembro em comparação com 11,6% no trimestre anterior, segundo o IBGE. Embora ainda existam 11,86 milhões de desempregados e os informais somem 38,8 milhões, a queda superou as expectativas. Com as contratações do comércio, a expansão dos contratos intermitentes e da ocupação informal, o desemprego diminuiu.

A melhoria pode ter sido em parte apenas sazonal e acaba revertida quando os trabalhadores temporários do varejo são demitidos. Não deixou de surpreender a previsão feita pelo próprio secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, que disse ao Valor (26/12) que a taxa de desemprego só cairá para um dígito no fim do mandato de Jair Bolsonaro, em 2022, e ainda assim estará no patamar elevado de 9,5%, mais alto do que em 2015. A deterioração foi rápida, mas a recuperação demora a chegar, dada a mudança de perfil do emprego provocada pela tecnologia e as novas relações de trabalho. A expansão prevista para o crédito é um ponto positivo na recuperação. O estoque de operações de crédito chegou a R$ 3,4 trilhões em novembro, alta de 6,3% em 12 meses. A previsão do BC, expressa no Relatório Trimestral de Inflação, é que vai crescer mais em dezembro, acumulando 6,9% no ano, acima dos 5% de 2018. Para 2020, o BC estima aumento de mais 8,1%, puxado pelo crédito livre, que deve aumentar 13,9%, embora as operações direcionadas mostrem pela primeira vez uma reação, com aumento de 1,6%. Mas há o grande desafio de levar adiante as reformas econômicas no Congresso, especialmente por conta das eleições municipais.

Depois das mudanças na aposentadoria, outras medidas ficaram empacadas. A reforma tributária, por exemplo, nem chegou a ser encaminhada e as idas e vindas do governo em torno da tributação das operações financeiras e os interesses conflitantes causam apreensão. A reforma administrativa também está pendente. O ambicioso programa de privatização limitou-se em 2019 a 67 empresas, 10% do total de 627 estatais das quais o governo federal participa. A promessa para 2020 é privatizar 300 empresas. Está claro que o ajuste fiscal precisa continuar, principalmente em um cenário de pressão pelo lado de Estados e municípios. A lista é ampla e inclui a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) emergencial de controle das despesas, a da descentralização de recursos e a autonomia do Banco Central entre outras. O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, escreveu recentemente que o déficit fiscal ao redor de R$ 70 bilhões, em 2019, mesmo inferior aos R$ 132 bilhões previstos, pode não ser suficiente para sustentar o juro nos 4,5% atuais (Estadão 29/12). E há o cenário internacional instável. 2019 terminou com a perspectiva de acerto entre Estados Unidos e China.

A tensão comercial internacional influenciou a revisão do saldo da balança comercial, ao lado da desaceleração da economia argentina, da peste suína que afeta o mercado chinês e da oscilação do câmbio. A demanda de Pequim por proteína animal favorece as exportações brasileiras, mas pode pressionar a inflação ao elevar os preços domésticos. O superávit esperado para a balança comercial foi reduzido de US$ 43 bilhões previstos em setembro para US$ 39 bilhões. Em 2020, o saldo deve encolher mais, para US$ 32 bilhões. Em consequência, o déficit em conta corrente esperado aumentou de US$ 36,3 bilhões para US$ 51,1 bilhões nas projeções para 2019, devendo chegar a US$ 57,7 bilhões ao final de 2020. O número equivalente a 3,1% do PIB surpreendeu, mas ainda não preocupa dado que se conta com US$ 80 bilhões em investimentos diretos no país (IDP) nos dois anos. Com tantos pontos duvidosos em jogo não dá para endossar cegamente as expectativas otimistas para o Ano Novo.

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